Grupo de jornalistas cria união em defesa dos direitos da categoria

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O mundo é cada vez menos seguro para os jornalistas.

O site norte-americano CarrerCast, especializado em carreiras, divulga todo ano as melhores e as piores, de uma lista de 200 profissões, a partir dos critérios: ambiente de trabalho, salário, nível de estresse, exigência física e condições de contratação. Jornalismo está dançando entre as dez piores por pelo menos uma década. Em 2013, a profissão repórter ganhou a 1ª posição, como a pior profissão do ano, ficando atrás de todos os trabalhos mais pesados imagináveis. Em 2018, a profissão subiu para a 3ª pior profissão, com expectativa de queda de 10% nas condições trabalhistas para 2019.

Nos primórdios da escrita para a web, os jornalistas aceitaram o argumento de que os consumidores de notícias exigiam o conteúdo gratuito e as plataformas estavam tendo problemas para monetizá-lo. Isso não é mais o caso, ou talvez nunca tenha sido. As fontes de receita para conteúdo digital cresceram nos últimos quinze anos, enquanto as quantias que os jornalistas ganham praticamente estagnaram. Freelancers na era digital viram seus pagamentos despencarem. Uma geração de jornalistas amadureceu acreditando que a escrita por palavra valia muito pouco e muitos chegaram a concordar durante anos em escrever gratuitamente em troca de exposição.

No Brasil, os veículos de grande porte negavam a suposta crise, mas ao menos no que se refere ao trabalho do jornalista, a decadência era e é inegável. Menos de 40% dos profissionais contam com carteira assinada e muitos deles aceitaram a ‘pejotização’ para não perder o emprego ou parte do salário.

“A precariedade na profissão e a liberdade de imprensa, sem dúvida, são as maiores falhas.” – relata a jornalista Paula Tooths

Mas não são só as jornadas dobradas, condições de trabalho e a falta ou atrasos nos pagamentos que assustam. A censura e as ameaças de morte passaram a caminhar cada vez mais perto da carreira jornalística.

Um documento divulgado em dezembro de 2018 pela Press Emblem Campaign (PEC), detalha que o número de jornalistas assassinados no Brasil foi o mesmo registrado na Somália. No total, foram registrados 113 assassinatos de jornalistas em 2018, um aumento de 14% em comparação a 2017. O Brasil ainda aparece entre os oito lugares mais perigosos para se trabalhar como jornalista nos últimos cinco anos.

De acordo com o relatório deste ano, divulgado pelos Repórteres Sem Fronteiras, a lista dos países mais seguros é liderada pela Noruega, seguida da Finlândia e da Suécia, dos 180 avaliados. No ranking, o Brasil ficou com a 105ª posição.

Apesar da Europa continuar sendo o continente mais seguro para os jornalistas, isso não significa que mortes não foram registradas e, com a emergência de poderes autoritários, os europeus têm cada vez menos liberdade de imprensa. Os Estados Unidos têm apresentado mais frequência nos casos, mas o Brasil não fica atrás.

“Fazemos o registro de tantas histórias e muitas vezes temos nossas vozes caladas pela corrupção ou pelas circunstâncias. Não podemos aceitar que a realidade seja contada somente pelos que detêm poder econômico, político ou cultural.” – explica Paula Tooths

O Reino Unido e os Estados Unidos ocupam respectivamente o 40º e o 45º lugar entre 180 países no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2018 da RSF.

Um grupo de jornalistas, com membros de todas as partes do mundo, trabalha em conjunto há longa data, na intenção de pesquisar e definir novos padrões para o jornalismo na era digital, além de promover e reforçar esses padrões no mercado internacional.  

O grupo foi iniciado em 2004, em decorrência da necessidade de se estabelecerem padrões éticos e profissionais. Quinze anos de luta contínua e em 2019 nasceu a International Union of Journalists (IUOJ), com representação em Londres (UK), Miami (USA) e Goiânia (Brasil).

Os jornalistas que já faziam encontros mensais para discutir os problemas do jornalismo e encontrar soluções para as denúncias recebidas, reuniram-se no feriado de Páscoa e elegeram por unanimidade, Fabrício Magalhães para a presidência da sede estabelecida no Brasil.

“A profissão jornalista deve ser reconhecida onde quer que este profissional esteja, em sua cidade natal, estado, país ou mesmo fora dele. A IUOJ vem com essa missão. Não somos mais um sindicato, federação ou associação, embora cada um desses tenha sua representatividade e importância, somos a união de todos eles e mesmo daqueles que não são filiados à nenhuma organização; mas com o intuito de valorizar cada vez mais aquele profissional que busca, faz e tráz a notícia, seja ele repórter, radialista, apresentador, narrador, fotógrafo, cinegrafista, revisor, redator, seja ele jornalista. Esta é a missão principal da União”, comenta Fabrício Magalhães.

De forma exemplar, os integrantes da IUOJ apoiam os colegas de maneira individual e coletiva. Focados em criar melhores experiências no mercado, lutam pela informação honesta e imparcial, por um jornalismo mais justo e acima de tudo, mais humano. A nova União visa ganhar força para representar e defender os jornalistas, bem como zelar por seus direitos.

A União também prepara o “IUOJ – Prêmio 20 de Jornalismo”, que terá como lema o trabalho em equipe – “Existimos para colaborarmos uns com os outros”.

O evento que contará com múltiplas categorias, terá votação aberta na segunda metade deste ano. O intuito é homenagear os profissionais filiados de maior destaque.

www.iuoj.org

Fonte: Revista InfoMoney

https://www.infomoney.com.br/negocios/noticias-corporativas/noticia/8246211/grupo-de-jornalistas-cria-uniao-em-defesa-dos-direitos-da-categoria

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