Brasileira cria caneta que detecta cancer

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Uma cientista brasileira de 33 anos desenvolveu uma caneta capaz de detectar células tumorais em poucos segundos. Natural de Campinas, Livia Schiavinato Eberlin é formada em Química pela Unicamp e, apesar da pouca idade, já é chefe de um laboratório de pesquisa da Universidade do Texas, em Austin, nos Estados Unidos.

A cientista que ganhou o mundo coordenando e desenvolvendo pesquisas avançadas, construiu a sua vida inteira na Cidade Universitária, no distrito de Barão Geraldo, local onde sempre morou. Por lá, estudou no Colégio Rio Branco, antes de ingressar na Unicamp, em 2004. Foi por meio do Projeto Ciência sem Fronteiras, ela conseguiu a capacitação necessária para decolar de vez na carreira.

A pesquisadora, que já mora há dez anos nos EUA, para onde se mudou para fazer doutorado, esteve no Brasil nesta semana para apresentar os achados de sua pesquisa no congresso Next Frontiers to Cure Cancer, promovido anualmente pelo A.C. Camargo Cancer Center, na cidade de São Paulo.

Nos Estados Unidos, Livia ganhou destaque na comunidade científica ao ser uma das personalidades selecionadas em 2018 para receber a renomada bolsa da Fundação MacArthur, conhecida como “bolsa dos gênios” e destinada a profissionais com atuação destacada e criativa em sua área. O prêmio, no valor de U$ 625 mil (cerca de R$ 2,5 milhões), é de uso livre pelo bolsista. Ela conta que iniciou os estudos do dispositivo (caneta) capaz de extrair moléculas de tecido humano e apontar, no material analisado, a presença de células cancerosas, há quatro anos. A tecnologia ainda está em estudo, mas já apresentou resultados promissores ao ser usada na análise de 800 amostras de tecido humano.

A pesquisadora explica que a caneta, batizada de MacSpec Pen, tem como principal objetivo certificar, durante uma cirurgia oncológica, que todo o tecido tumoral foi removido do corpo do paciente. Isso porque nem sempre é possível visualizar a olho nu o limite entre a lesão cancerosa e o tecido saudável. “Muitas vezes o tecido é retirado e analisado por um patologista ainda durante a cirurgia para confirmar se todo o tumor está sendo retirado, mas esse processo leva de 30 a 40 minutos e, enquanto isso, o paciente fica lá, exposto à anestesia e a outros riscos cirúrgicos”, explica Livia.

A caneta desenvolvida por ela e sua equipe de pesquisadores usa uma técnica de análise química para dar a mesma resposta que um patologista daria. “A caneta tem um reservatório preenchido com água. Quando a ponta dela toca o tecido, capta moléculas que se dissolvem em água e são transportadas para um espectrômetro de massa, equipamento que caracteriza a amostra como cancerosa ou não”, explica a cientista. Essa caracterização da amostra em maligna ou não pode ser feita porque a tecnologia usa, além dos equipamentos de análise química, técnicas de inteligência artificial para que a máquina “responda” se as células são tumores. Para isso, foram usadas, na criação do modelo, centenas de amostras de tecidos cancerosos que, por meio de suas características, “ensinam” a máquina a identificar tecido tumoral. “Na primeira fase da pesquisa analisamos mais de 200 amostras de tecido humano e verificamos uma precisão de identificação do câncer de 97%”, conta Livia.

Fonte: Estado/ Correio

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Paula Tooths
Paula Tooths
Jornalista, produtora de TV e escritora, autora de sete títulos publicados no Reino Unido. | Londres - Miami

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