Arte para deficientes – Mobilidade Artística promove apresentações circenses

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Iniciado em abril, o Projeto Mobilidade Artística atendeu neste período 130 pessoas com deficiência divididas em 4 turmas espalhadas por diversas regiões da cidade.

Brasil, São Paulo, setembro de 2019 – Coordenado e idealizado pela produtora Sabatino Bros, Realizado pela Secretaria Municipal de Cultura e pela Associação dos Moradores do Jardim Áurea, o projeto oferece aulas de artes supervisionadas por terapeutas e arte-educadores a pessoas com deficiência. O desfecho da primeira fase do evento acontece com apresentações gratuitas do espetáculo Acesso Livre, uma fusão dos trabalhos cênicos Se Fosse Fácil, Não Teria Graça (palhaço Nando Bolognesi) e de Vida de Circo (Cia Circodança Suzie Bianchie). Na obra, as experiências construídas ao longo da vida dos artistas trazem a necessidade de expressar que é normal ser diferentes. As apresentações acontecem dias 1 e 2 de outubro, terça e quarta-feira, às 20h, no Teatro Municipal João Caetano.

A  Cia Circodança conta com uma companhia de artistas profissionais que estão rompendo preconceitos. Em seu elenco, artistas com e sem deficiência interagem para criar um espetáculo que une elementos de dança, circo e teatro. Essa integração faz com que cada artista utilize o máximo de seu talento e se supere continuamente. O espetáculoVida de Circo une artistas circenses, atores e bailarinos que contam a história de Laura e sua trupe sob uma lona de circo. A companhia fez um trabalho de adaptação de movimentos para os usuários de cadeiras de rodas e outras deficiências. São utilizadas as bases de dança flamenca, de salão e contemporânea, além do teatro e circo. “O trabalho de expressão corporal e artístico independe de condições físicas ou mentais”, afirma Suzie Bianchi.

A palestra-espetáculo Se Fosse Fácil, Não Teria Graça (Sit Down Tragedy), do palhaço Nando Bolognesi, é inspirada no livro de sua autoria Um palhaço na boca do vulcão (ed Grua). O espetáculo narra, sempre com muito bom humor, a trajetória do autor/interprete, que conta como aprendeu a conviver com as limitações impostas pela esclerose múltipla, doença degenerativa, progressiva, incurável e com potencial incapacitante. O ator mescla um relato engraçado, humano e comovente sobre como podemos transformar dificuldades, limites e crises em alegrias, desafios e realizações com diversas reflexões sobre a vida, a morte, nosso lugar no universo e nossa relação com a alteridade.

Nando conta que sempre teve uma resistência a se associar a grupos de pessoas portadoras de esclerose múltipla, porque encarava a condição como algo coadjuvante em sua vida. Conforme as limitações físicas se desenvolveram, o artista optou por falar mais a respeito da doença. “Percebi que posso investigar formas de explorar minhas dificuldades como potência artística”, conta. Nando conheceu o trabalho de Martin a partir de um amigo em comum e se identificou prontamente com o projeto Mobilidade Artística. Desde a descoberta o avanço da doença, Nando interpretou os espetáculo Desmiolações, Rei da Vela A Cabeça de YoricSe Fosse Fácil, Não Teria Graça, sua apresentação solo, já está no sexto ano de trajetória.

Valorização da diversidade e ampliação do mundo

Segundo Martin Sabatino Caldeyro, da Sabatino Bros, o projeto usa da arte para buscar diminuir muros e barreiras para esse público, contribuindo para o cotidiano deles. “Como artista de circo,  pesquisei muito sobre os limites do corpo. Todos temos nossos limites e, em cena, a gente sempre trabalha para superar nossas próprias barreiras. O Mobilidade Artística explora isso com os participantes, mas também é uma tentativa de mostrar para essas pessoas que dificuldade todos nós temos e que todos somos especiais por enfrentar isso todos os dias”, conta.

O projeto destaca a valorização da diversidade por meio da ampliação da consciência corporal, o desenvolvimento de habilidades físicas e de capacidades de expressão artística das pessoas com deficiência, proporcionando aos alunos um espaço possível para que se fomente esse tipo de atividade.

E isso vem sendo comprovado nessa primeira edição. Renata Basílio, tutora da ACDEM, uma das instituições atendidas pelo projeto, diz que é visível a melhoria dos alunos que participam do projeto. “Percebi que algumas das pessoas ficaram menos tímidas ao longo desses últimos meses e foram se soltando. Além disso, as atividades desenvolvidas pelo Mobilidade Artística acabaram contribuindo também para a melhora na concentração e foco dos alunos em outras aulas”, diz.

Ana Luisa foi uma das alunas que venceram a timidez depois das aulas. Sua mãe, Elenilda Maria dos Santos, diz que a filha frequenta a ACDEM há três anos, mas tinha uma enorme dificuldade de socializar. O mundo dela girava em torno da televisão. “Com as aulas, percebo que ela despertou interesse nas outras pessoas e isso tem ajudado até a criar laços com os irmãos e participar de suas brincadeiras”.

A segurança dos alunos que participaram das aulas também foi melhorando conforme as semanas avançaram. Um exemplo disso foi Gabriela Bispo, que possui uma deficiência que não só dificulta seu aprendizado como também a faz tremer quando anda ou tenta escrever. A avó de Gabriela, Sônia, disse que o projeto a fez ver que existe um mundo lá fora muito mais amplo do que ela imagina. “Ela está mais segura, mais aberta para descobrir coisas novas e se arriscar. Ainda tem vergonha quando começa a tremer, mas já sabe encarar o preconceito (que, acredite, é enorme) e até desenvolveu técnicas de controle do corpo para que o tremor não a atrapalhe tanto. Outro dia, ao ver que uma pessoa ria dela, me falou: vó, não vou ficar triste. Essa pessoa que tem que se sentir mal pela maldade que carrega em si”, relembra a orgulhosa avó

A Sabatino Bros também destaca a valorização da diversidade por meio da ampliação da consciência corporal, o desenvolvimento de habilidades físicas e de capacidades de expressão artística das pessoas com deficiência, proporcionando aos alunos um espaço possível para que se fomente esse tipo de atividade.

Futuro do projeto

O sucesso dessa primeira fase deixou atendidos e os organizadores empolgados com a possibilidade de continuar com o Mobilidade Artística. Cerca de 80 pessoas atendidas na ACDEM assim como seu corpo diretivo, já manifestaram o desejo de também serem contemplados. A escola EMEEF Desembargador Amorim Lima solicitou para que as aulas agora ocorram durante a semana junto a grade de aulas para ampliar o atendimento. O Centro Social Nossa Senhora da Penha – CENHA  também esta aguardando a renovação do projeto para se integrar ao movimento. Muitas outras ações Ainda em negociação somente aguardando a confirmação de continuidade do projeto.

“O Mobilidade Artística tem uma história para escrever, queremos apoiar pessoas com deficiência que possuam habilidades artísticas e queiram desenvolvê-las. Esse público precisa ser ouvido, tem coisas para contar – este é apenas um canal para que possam expressar do modo que melhor lhes convier, a sua história”, conclui Martin.

Mais informações:

https://www.irmaossabatino.com.br/mobilidadeartistica

Acesso Livre

Dias 1 e 2 de outubro, terça e quarta-feira, às 20h

Duração: 90 minutos

Ingressos: Grátis

Classificação indicativa: Livre

Local: Teatro João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino, São Paulo – SP – CEP 04038-020)

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