Obesidade infantil quadruplica risco de diabetes tipo 2 aos 25 anos

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Exposição excessiva às telas, alimentação industrializada e falta de atividades físicas são alguns dos motivos. A doença na infância aumenta em 80% as chances de se tornar um adulto obeso

Comemorado no dia 3 de junho, o Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil não traz previsões boas e elas ainda podem piorar muito nos próximos anos. Segundo estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de crianças e adolescentes obesos aumentou dez vezes nos últimos 40 anos e, no Brasil, cerca de 35% das crianças estão com sobrepeso e 15% são obesas. A estimativa é de que até 2025, cerca de 11,3 milhões de pequenos brasileiros estejam obesos.

Outros estudos sugerem ainda que a obesidade infantil eleva para 80% a chance de o indivíduo sofrer de obesidade na idade adulta. E vale lembrar que essa condição está associada a nada menos de 26 doenças crônicas, como pressão alta e diabetes tipo 2 (maus hábitos aumentam muito a chance de desenvolver). Inclusive, segundo um estudo realizado na Inglaterra, na King’s College, mostrou que uma pessoa que teve obesidade na infância tem quatro vezes mais chances de desenvolver diabetes do tipo 2 aos 25 anos quando comparada a alguém sem sobrepeso.

Tempo de tela: um dos vilões da obesidade infantil

Rotina corrida, o acesso à tecnologia – com a popularização de celulares, computadores e tablets -, a falta de horários e cardápios adequados para uma alimentação saudável preparada em casa e a falta de incentivo à prática de atividades físicas. Todos esses fatores contribuem para que as famílias sofram, cada vez mais, com problemas provocados pelo sobrepeso e obesidade.

Segundo a médica endocrinologista, Fernanda Braga, o tempo de uso de telas está diretamente ligado ao ganho de peso em crianças, à qualidade do sono e à produção de hormônios importantes para o desenvolvimento físico e intelectual. “As crianças têm exposição média ao celular/tablets e TV de até 4 horas diárias, quando o ideal seria no máximo uma hora para faixa etária de até 5 anos de idade. A partir dos 6 anos, é importante que o tempo de tela não ultrapasse o tempo de atividade física diária. Além disso, é muito importante a atenção ao conteúdo acessado e o horário em que é feito. Esse contato com as luzes das telas confunde o relógio biológico deixando o cérebro em alerta. Dessa forma, a criança demora a dormir, acordar mais e descansa menos, o que pode levar a problemas de comportamento e atenção às aulas, além de prejudicar a memória”, diz.

Qualidade do sono e produção de hormônios afetados

A longo prazo, o tempo e qualidade do sono quando inadequados podem desregular a produção de alguns hormônios. “Hormônios importantes têm sua produção comprometida como a melatonina, que prepara o corpo para um sono de qualidade e reparador; a leptina, que participa dos mecanismos de controle da saciedade; o GH, hormônio do crescimento. Há ainda, aumento de outros hormônios como o cortisol, que é relacionado ao estresse, e da grelina, que aumenta o apetite”, explica Fernanda.

Uma criança que dorme mal está vulnerável ao aumento da oportunidade de comer, a um prejuízo na termoregulação, tem mais fadiga e tem mais ganho de peso. A criança que já está obesa também terá o sono pior, pois pode desenvolver episódios de apnéia, formando um ciclo vicioso entre sono ruim e obesidade, algo que afeta também os adultos acima do peso.

Tratar a obesidade não é questão estética, ela é uma doença crônica

É muito importante que os pais levem os filhos ao médico para realização de exames e avaliações clínicas que vão auxiliar no diagnóstico precoce de doenças ou distúrbios. A obesidade desencadeia outros problemas de saúde e deve ser levada à sério. Seja qual for a idade, os pacientes com obesidade precisam de ajuda, orientação e podem ser medicados quando necessário, mas apenas o endocrinologista pode prescrever o tratamento mais adequado.

Pais precisam dar exemplo na alimentação e atividade física

Além de controlar o tempo de tela, é necessário que os pais criem uma rotina interessante de convivência familiar valorizando hábitos saudáveis como o preparo de refeições de maneira caseira, deixando de lado os industrializados e fast foods, priorizando o consumo de alimentos naturais, como frutas, verduras, legumes e cereais integrais. Também é fundamental que os pais deem o exemplo sobre a prática regular de atividade física, que ajuda as crianças tanto no desenvolvimento físico, como no social e emocionalmente.

Dicas da nutricionista

Para a nutricionista da Fêmina Clínica de Estética, Gracielly Faria, algumas dicas básicas podem ajudar a enriquecer a alimentação das crianças com os nutrientes que importam. São elas:

  • Coma arroz com feijão todos os dias ou, pelo menos, seis vezes por semana;
  • Consuma diariamente três porções de leite e derivados e uma porção de carnes, aves, peixes ou ovos;
  • Coma diariamente pelo menos três porções de legumes e verduras como parte das refeições e três porções ou mais de frutas nas sobremesas e lanches;
  • Procure combinar verduras e legumes de maneira que o prato fique colorido, garantindo assim diferentes nutrientes;
  • Diminua o consumo de refrigerantes e de sucos industrializados;
  • Prefira sucos naturais de fruta feitos na hora. A polpa congelada perde alguns nutrientes;
  • Prefira bolos, pães e biscoitos preparados em casa, com pouca quantidade de gordura e açúcar, com cobertura pura de chocolate 70%. Bolos de frutas ajuda a aproveitar frutas maduras ou cascas, o que rende um bolo mais nutritivo.

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