Saturday, December 5, 2020

“E o vento levou” fora da telinha

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A plataforma de streaming HBO Max retirou nesta quarta-feira (10/06) o filme E o vento levou do seu catálogo nos Estados Unidos, após a película de 1939 ser criticada durante anos por transmitir uma visão idílica da escravidão e perpetuar estereótipos racistas.

Vencedor de vários Oscars, o épico da Guerra Civil dos EUA, rodado em 1939, é o filme de maior bilheteria de todos os tempos, quando ajustado pela inflação. No entanto, desde o seu lançamento, ele tem sido motivo de controvérsia por retratar escravos leais e simplórios junto a seus heroicos proprietários.

E o vento levou é um produto de seu tempo e retrata alguns dos preconceitos étnicos e raciais que, infelizmente, têm sido comuns na sociedade americana”, disse um porta-voz da HBO Max. “Essas representações racistas estavam erradas no passado e estão erradas hoje, e sentimos que seria desnecessário manter esse título sem explicação e sem uma denúncia dessas representações”, acrescentou.

O filme, baseado no livro homônimo de Magaret Mitchell, voltará em breve à plataforma de streaming “como foi originalmente criado”, junto a uma discussão sobre os preconceitos raciais que aparecem na película. “Se quisermos fazer um futuro mais justo, igualitário e inclusivo, precisamos primeiro reconhecer e entender nossa história”, disse a HBO Max.

A retirada de E o vento Levou por parte da HBO Max vem um dia após o jornal Los Angeles Timespublicar um artigo editorial no qual o escritor e diretor americano John Ridley ‒ roteirista de 12 anos de escravidão, vencedor do Oscar de 2014 ‒ pediu a medida, alegando que a história “glorifica” a escravidão durante a Guerra de Secessão dos EUA. “Ignora os seus horrores e perpetua os estereótipos mais dolorosos das pessoas de cor”, escreveu.

E o vento levou já foi criticado na época de sua estreia por ativistas, como o roteirista afro-americano Carlton Moss, que protestou contra as estereotipadas caracterizações das personagens negras como “preguiçosas, simplórias e irresponsáveis” e também pelo fato de mostrar “uma exultante aceitação da escravidão”.

Quando a atriz afro-americana Hattie McDaniel ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante pela interpretação da escrava Mammy, ela teve de se sentar separada dos companheiros no fundo na sala, devido às leis de segregação racial.

A decisão da HBO Max coincide com a decisão de outras empresas, como a Disney, que evitou incluir no seu novo serviço de streaming A canção do Sul, um filme polêmico desde que estreou, em 1946, sob acusações de ridicularizar a população negra e justificar a escravidão. Ou o canal de TV Paramount Network, que cancelou o programa de reality Cops, estreado em 1989 como um formato que mostrava policiais em operações reais.

Manifestações tomaram conta dos Estados Unidos desde que o afro-americano George Floyd morreu durante uma ação policial, em 25 de maio último, em Minneapolis, com crescentes pedidos de reforma policial e remoção mais abrangente de símbolos de um legado racista, incluindo monumentos relacionados com os estados americanos que apoiavam a escravidão.

No Reino Unido, o programa de comédia Little Britain, que incluem cenas do cocriador David Walliams em blackface, foi removido dos serviços de streaming online, incluindo a Netflix, nesta semana.

Fonte: DW

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Paula Tooths
Paula Tooths
Jornalista, produtora de TV e escritora, autora de oito títulos publicados no Reino Unido. | Londres - Miami

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