Marte. Agora vai!

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É a primeira missão interplanetária do mundo árabe. Os Emirados Árabes Unidos vão lançar este domingo uma sonda para Marte. Com o nome “Hope”, ou “Al Amal” (Esperança, em português), o aparelho tem como propósito estudar a atmosfera marciana. A sonda deverá estar em Marte durante um ano marciano (687 dias terrestres) e deve chegar a este planeta em fevereiro de 2021.

[Um dos responsáveis pelo projeto, o Moshen Al Awadi, explicou no Twitter o percurso que a Hope vai fazer]

O lançamento da sonda Hope tem sido aguardado com muita expetativa. Depois de dois lançamentos cancelados devido às condições atmosféricas, o último na quinta-feira, o país tem esperança que à terceira seja de vez e consiga levar para a sua sonda até ao planeta vermelho. Os responsáveis por este projeto, a Agência Espacial dos Emirados Árabes Unidos e o Centro Espacial Mohamed ben Rached, têm estado em contacto com a Mitsubishi Heavy Industries para lançar a Hope a partir do Centro Espacial Tanegashima, no Japão, para conseguir este feito.

[Pode acompanhar em direto o lançamento da sonda através do YouTube ou pelo vídeo abaixo]

O programa espacial dos Emirados Árabes Unidos é um dos três projetos em curso que tem como objetivo o planeta Marte este verão, tais como o Tianwen-1, da República Popular da China, e Perseverance Rover, uma missão dos EUA que deve descolar a 30 de julho.

[Para comemorar o lançamento da sonda Hope, o Burj Khalifa, o edifício mais alto do mundo que fica no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, vai ter projetada a contagem decrescente para o lançamento]

Até agora, apenas os Estados Unidos, a Europa e a Índia tiveram projetos interplanetários bem sucedidos até Marte. Como conta a BBC, os engenheiros árabes tiveram o apoio de peritos norte-americanos para levar a cabo esta missão. E houve exigências: o governo dos Emirados Árabes Unidos afirmou que os engenheiros do país não podiam comprar a nave a nenhum outro país, tinham de a construir eles mesmo. Isto significou fazer uma parceria com universidades norte-americanas que tinham a experiência necessária, explica o mesmo canal britânico.

[No Twitter, a equipa da Agência Espacial dos Emirados Árabes Unidos, partilhou uma imagem do foguetão que vai tirar a sonda Hope da Terra]

Sendo um projeto que contou com a ajuda de mais países, os cientistas quiseram aproveitar a missão para fazer novas descobertas e não repetir o que já foi feito em Marte. Assim, e depois de os responsáveis terem conversado com a NASA (a agência espacial dos EUA), decidiram que a Hope vai estudar como é que a energia se mexe na atmosfera marciana durante as várias estações do ano.

De acordo com o Governo dos Emirados Árabes Unidos e o responsável deste projeto, Omran Sharaf, como conta a CNN, este projeto quer: “Inspirar os jovens dos Emirados a ingressar nos STEM (estudos em ciências, tecnologias, engenharias e matemáticas) e quer usar essa missão como catalisador de mudanças em vários setores, incluindo o setor académico, industrial e económico”.

Todos sabemos que estamos numa região com turbulências… Então, quando foi chamada de sonda Hope, foi como uma espécie de símbolo de esperança, não apenas para a juventude dos Emirados, para a juventude de toda a região”, diz Fatma Hussain Lootah, uma das cientistas responsáveis pelo projeto.

“Este é o momento em que decidimos destacar-nos num setor em que ninguém esperava que nos desenvolvêssemos porque é baseado no conhecimento, é muito baseado na ciência”, diz uma das cientistas envolvidas na iniciativa.

Desde que a missão foi anunciada, vimos o impacto da missão em diferentes setores. Vimos universidades a iniciar programas de ciências que não tinham no passado… Vimos estudantes de graduação a mudar de cursos de finanças e relações internacionais para ciências”, diz Sharaf.

A maioria dos projetos interplanetários pode demorar entre 10 a 12 anos a chegar a ver a luz do dia, contou Sharaf. Porém, os cientistas do Bin Rashid Space Centre, no Dubai, fizeram em seis anos (desde 2014). Ao todo, cerca de 450 engenheiros e técnicos trabalharam nesta missão.

Fonte: Observer/BBC/CNN

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Paula Tooths
Paula Tooths
Jornalista, produtora de TV e escritora, autora de sete títulos publicados no Reino Unido. | Londres - Miami

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