Há 50 anos, morria Janis Joplin

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Em 25 de junho de 1970, durante uma entrevista, o apresentador de televisão Dick Cavett pergunta a uma jovem de vestido roxo e inúmeros colares e pulseiras se ela voltaria a visitar sua cidade natal algum dia. Janis Joplin responde então que pretendia participar de um encontro dos dez anos de formatura da turma do colégio. Cavett quer saber se a cantora teria algo a dizer aos antigos colegas. “Eles riram tanto de mim que tive que deixar a classe, a cidade e o estado. É por isso que estou voltando para casa. Vou rir muito”, disse a cantora carregando no sotaque texano.

Um momento de triunfo e dor na vida da estrela. Depois da entrevista, ela viveu menos de quatro meses.

O encontro da turma na Escola Thomas Jefferson, na cidade texana de Port Arthur, foi filmado. Com roupas hippies e coloridas, Janis Joplin destoa do ambiente em meio a ex-colegas de classe. Ela parece desajeitada como se sentisse que não era particularmente bem-vinda lá. Alguém a entrevista e pergunta quem a convidou para o baile de formatura. “Ninguém”, responde a cantora deixando transparecer em seu rosto que isso ainda a afetava.

Nascida em 19 de janeiro de 1943, em Port Arthur, uma cidade conservadora e racista do Texas, Janis Lyn Joplin aprendeu a ler ainda antes de ir para a escola. Aos 14 anos, foi vítima de bullying por ser gordinha e ter espinhas. Interessada por arte e literatura, ela escrevia poesias. “Comecei a cantar quando tinha 17 anos e foi uma grande surpresa para mim, para dizer o mínimo”, afirmou mais tarde. Ela descobriu sua voz marcante por acaso.

Ela mudou sua aparência: Janis pintou o cabelo de laranja, usava roupas masculinas ou trajes desgrenhados. A garota atormentada por um complexo de inferioridade começou a atrair a atenção. Pais alertavam os filhos para não se relacionarem com ela, que seria uma má influência.

Ao terminar o segundo grau, Janis fez um curso profissionalizante de secretária. Mais tarde entrou para a Universidade do Texas, em Austin, onde foi eleita por uma revista satírica o “homem mais feio da universidade” devido a sua aparência provocante.

Com 18 anos, Janis se mudou para San Francisco, que estava anos-luz de distância culturalmente de Port Arthur, e se tornou ícone do movimento hippie. Causou ainda um terremoto na cena musical.

Carreira relâmpago

A antiga menina ofuscada acabou parando na capa da revista Newsweek. Num artigo intitulado “O Renascimento do Blues”, um crítico a classifica como “nitroglicerina que explodiu o mundo do rock”. “Ao cantar com paixão atormentadora, que se tornou sua marca, ela se tornou a primeira mulher superstar do rock”, acrescenta o texto.

Sua carreira relâmpago durou apenas cinco anos e resultou em mais de 15,5 milhões de álbuns vendidos somente nos Estados Unidos, reconhecimento internacional, e num estilo de vida autodestrutivo.

Posteriormente foi descoberto que ela escreveu muitas cartas a seus pais, buscando o reconhecimento deles. Ela nunca conseguiu abandonar completamente sua terra natal. “Ela não perdeu nenhuma oportunidade de apontar sua cidade natal burguesa como bastião da intolerância das pequenas cidades”, escreveu um jornalista no The New York Times.

Por causa de sua imagem da cantora que bebia whisky no palco, foi proibida de se apresentar em Houston, também no Texas. E mesmo em sua cidade natal era percebível que não era bem-vinda. Seus pais ficavam estarrecidos ao vê-la bebendo no palco e gritando obscenidades. Apesar disso, a família a apoiou até o fim.

Em 4 de outubro de 1970, Janis Joplin não apareceu para uma gravação marcada em Los Angeles. Na época, ela trabalhava com sua banda Full Tilt Boogie no álbum “Pearl”. Ao procurá-la no hotel, um colega a encontrou morta no chão devido a uma overdose de cocaína. Ela faleceu apenas duas semanas depois da morte da lenda da guitarra Jimi Hendrix, que também tinha 27 anos.

Pouco dias antes de sua morte, Janis tinha assinado seu testamento, deixando uma grande quantia de dinheiro para seu velório, e o resto para sua família.

Fonte: DW

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Paula Tooths
Paula Tooths
Jornalista, produtora de TV e escritora, autora de oito títulos publicados no Reino Unido. | Londres - Miami

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